Cuidados e considerações com a IDI nas PMEs

2018.3.28
O aumento da faturação ou a notoriedade não acontecem do dia para a noite. São necessários muitos fatores e explicamos quais.

No que toca a Inovação, Desenvolvimento e Investigação dentro das PME, deve ter-se em atenção que estas atividades, por si só, não são milagreiras e não vão fazer com que, do dia para a noite, as empresas dupliquem, tripliquem ou quadrupliquem o seu volume de faturação, resultados líquidos ou visibilidade.

Estes resultados podem ser atingidos?! Podem! Em quanto tempo?! Depende do fator “COMPROMISSO”!

Um departamento, núcleo, grupo seja de que dimensão for, só conseguirá obter resultados se as empresas em que estão inseridos de facto se comprometerem com isso. Não adianta colocar as pessoas lá e esperar que elas façam, num curto espaço de tempo, o que a empresa não foi capaz ao longo de toda a sua existência.

Um bom exemplo deste modelo pode passar pela análise da colocação de uma marca própria (de vestuário por exemplo) no mercado. Quem já colocou uma marca própria no mercado pela primeira vez, conhece as dificuldades e o prejuízo inicial que este processo envolve. É necessário investir em definições estratégicas (avaliar o mercado para ir de encontro ao público-alvo), Design, marketing, equipa comercial, matérias-primas de qualidade, feiras nacionais e internacionais, etc. Ainda assim este processo, pode levar anos a ser rentável, ou seja, a dar lucro efetivo. É de extrema importância que este processo seja compreendido e interiorizado pela gestão de topo caso contrário, a marca morreria no primeiro ano de existência com prejuízos avultados. Contudo os melhores Players de cada segmento, continuando com o exemplo do vestuário, conhecem bem esta realidade, e mesmo assim após a primeira marca, lançaram uma segunda e uma terceira e assim sucessivamente. Porquê? Porque eles sabem que uma marca é uma identidade, é algo que só eles fazem, portanto exploram esse potencial ao máximo sempre com a consciência que é uma aposta a médio/longo prazo, ou seja, por norma o retorno não é imediato.

Quando se passa deste exemplo para a realidade de um departamento IDI as coisas podem complicar um pouco, porquê? Porque assume-se que a pessoa responsável ou contratada para gerir este investimento (talvez pela base da sua formação) consiga fazer tudo o que está descrito acima sozinha, mais rápido e com menos recursos. Escusado será dizer o quão difícil e frustrante essa situação é para todos os envolvidos. Claro que tem de haver esforço para que as soluções surjam, claro que tem de haver dedicação à função. Mas sem o tal COMPROMISSO da gestão de topo torna-se numa missão impossível.

Pela análise realizada a este fenómeno conclui-se que há um fator que poderá estar na génese deste comportamento – MEDO e consequentemente “jogar à defesa”. Uma aposta em diferenciação através de ações de Investigação, Desenvolvimento e Inovação pode ser francamente assustador, principalmente para quem está a iniciar este percurso, precisamente porque tudo é desconhecido. Sabe-se apenas que se funcionar valerá a pena, mas pelo caminho vão-se levantando inúmeras questões assentes em insegurança que prejudicam e por vezes boicotam todo o processo. Aí começam a cortar no investimento, a exigir que aquela única pessoa seja investigador, Designer, comercial, responsável de produção, negociador, networker e por vezes, diretamente responsabilizado pelo curto orçamento onde não há margem para reconhecimento, progressão na carreira nem aumentos (porque não há lucros). É preciso que as gestões de topo compreendam o passo que estão a dar. Se a colocação de uma marca no mercado é tão penosa e envolve o compromisso de tanta gente, porque haveria um departamento de IDI ser menos exigente em recursos e tempo (ainda mais quando novos mercados estão em vista)? É importante antes de dar este passo, as empresas compreenderem se estão aptas a trabalhar com esta realidade, se têm margem financeira para chegar à fase de retorno e se compreendem que é imprescindível formar equipas que criem soluções para cada problema ao invés de criar problemas para cada solução (comportamento típico originado pelo receio do desconhecido). Existe uma imensidão de estudos sobre as diferentes fases da criação e desenvolvimento de algo novo. Um destes estudos colmatou no desenvolvimento de um gráfico que explica a variação comportamental ao longo de todo o processo, a HYPE CURVE que a InovTex adapta para este artigo de opinião:

Em suma, todos os processos são cíclicos e exigem muito das capacidades de gestão, execução, padronização e visão dos processos. É preciso uma mente estratégica e paixão pela profissão, mas isto por si só não chega para se inovar. É preciso ultrapassar as limitações, preconceitos, egos, admitir que há profissionais que percebem de facto como fazer isso de forma mais exata e deixar que eles, juntamente com a gestão de topo, formem equipes conscientes e dispostas a percorrer o caminho.

Na InovTex temos uma equipa disposta a ajudá-lo a começar e se achar viável, percorrer todo o caminho! Vamos discutir, o que importa é começar e compreender por onde seguir de forma segura, esclarecida e com perspetivas de futuro sustentável para o seu projeto.